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Por que investir no exterior faz sentido

 Uma das perguntas mais frequentes que os gestores internacionais recebem de seus clientes brasileiros é a porcentagem do patrimônio líquido da família que eles deveriam manter no exterior. A resposta nunca é simples, pois depende da situação específica de cada indivíduo, mas estou confiante em dizer que hoje, mais do que nunca, faz sentido que os que os brasileiros aloquem parte de sua riqueza em investimentos internacionais. Primeiro, o mundo mudou. A transparência é agora universal e os investidores estão livres para movimentar seus ativos fora e dentro do Brasil, trabalhando com os melhores profissionais de gestão nas melhores instituições e jurisdições que escolherem.

Isso, obviamente, envolve papelada, mas é um avanço importante. Já se foram os dias de contatos pouco frequentes com banqueiros no exterior ou restrições regulatórias que limitam o fluxo de investimentos. A tecnologia possibilitou que todos os investidores acessassem grandes quantidades de informações on-line, em seus smartphones ou, no mínimo, estivessem em contato regular com o seu banqueiro para discutir seu portfólio. Investir no exterior não deve ser um mistério, dado o nível de conhecimento financeiro que muitos brasileiros possuem após ter passado por anos de hiperinflação e agitação econômica.

Hoje, custo, serviço, desempenho e diversificação de riscos são os critérios primordiais que um investidor precisa considerar ao decidir onde investir por meio de qual empresa de investimentos. Isso equivale a mais liberdade financeira do que nunca, o que é uma perspectiva única e atraente.

Em segundo lugar, a gama de oportunidades de investimento no exterior é simplesmente grande demais para ser ignorada. As taxas de juros decrescentes no Brasil já estão mudando o comportamento dos investidores localmente, uma vez que os retornos reais (líquidos de inflação) de investimentos tradicionais em CDI são menos atraentes.

A diferença nos retornos locais e a rentabilidade em dólares está diminuindo e continuará a diminuir à medida que as taxas dos EUA aumentarem este ano. No Brasil, temos visto um aumento nos investimentos em fundos multimercados ou de ações o que implica mais riscos para atingir os mesmos niveis de retorno do passado.

O investidor brasileiro deve abrir o seu leque de opções, beneficiando das inúmeras oportunidades atraentes que hoje existem no exterior, por meio de diferentes estratégias, diversas classes de ativos e instrumentos, e várias regiões do mundo. Não temos espaço para cobrir todas essas áreas aqui, mas vamos escolher duas.

Em termos de estratégias, a renda "não correlacionada" apresenta uma alternativa única para se proteger dos riscos dos títulos tradicionais, como o risco de taxa de juro que está impactando as carteiras de renda fixa à medida que as taxas de juros vão subindo nos EUA.

O rendimento de muitos títulos de renda fixa está tão deprimido que os retornos não compensam mais o risco de crédito. As estratégias de renda não correlacionadas proporcionam fortes retornos, de 6% a 8% ao ano, sem alavancagem, em dólares, por meio de estratégias globais de financiamento do comércio (trade finance), empréstimos entre pares  (peer-to-peer lending), crédito ao consumidor e até mesmo a maldição de 2008, títulos garantidos por ativos (asset-backed securities). Esses investimentos são menos líquidos e podem, é claro, sofrer em desacelerações econômicas, mas os players especializados nessas áreas mostraram sua resiliência nos últimos 10 anos.

Em termos de regiões, quem pode se dar ao luxo de desconsiderar a Ásia hoje? É o motor do crescimento global, e a China, por exemplo, responde por quase 15% do PIB real global, 18,5% da população mundial e, até mesmo com taxas projetadas de crescimento mais modestas de 6,4% ao ano (estimativa do Banco Mundial), deve igualar o PIB dos EUA. 

A China está em transição para se tornar um país com alto status de renda, com mais produção de valor agregado, indústrias de serviços e inovação impulsionando sua economia. Possui os controles e recursos para gerenciar os riscos potenciais de choques financeiros.

Portanto, com seus mercados de ações que estão crescendo e se tornando mais acessíveis, os investidores estrangeiros agora podem aproveitar o crescimento impressionante de empresas chinesas domésticas e internacionais, aos os níveis de avaliação atraentes e em um momento em que os investimentos asiáticos ainda estão sub-representados em carteiras globais.

Investir na Ásia oferece uma oportunidade econômica inigualável. Os brasileiros devem fazer parte disso. Finalmente, há a questão da diversificação de riscos. O Brasil tem, e sempre continuará oferecendo grande potencial de crescimento e de sucesso. No entanto, os riscos - sejam as próximas eleições, desequilíbrios nos gastos dos governos,  estresses econômicos e sociais - são onipresentes. A questão não é apenas onde um investidor necessariamente fará o melhor retorno, mas como é prudente distribuir os riscos em diferentes mercados e estratégias. As taxas de câmbio são notoriamente difíceis de prever.  Por isso, a questão principal para os investidores de longo prazo não é de saber quando converter os reais para dólares ou euros. É saber proteger e crescer seu patrimônio, com investimentos internacionais que oferecem fortes retornos e risco mais diversificado. Uma combinação vencedora ao qual o brasileiro tem acesso mais fácil hoje do que nunca.

Sven Blake é sócio e CEO da Sartus Capital, braço do Grupo XP na Europa E-mail: sven.blake@sartuscapital.com

fonte: VALOR








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