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Jornais de bairro buscam se reinventar para enfrentar o novo mercado

 Uma grande e incontestável revolução tecnológica. Todo mundo sentiu na pele, nos últimos anos, com tudo se transformando ao seu redor. Uma mudança rápida e radical, como do telefone ao smartphone, ou das antigas Remingtons e Olivettis para os computadores, notebooks e tablets.

Não podia deixar de ser também no meio jornalístico. Da antiga máquina de linotipo Foucher, do século 19 – a primeira máquina para fundir tipos de impressão – até as  mais modernas offset  que rodam grandes jornais em velocidades impressionantes, em qualidade e multicores.

Como o rádio que se transformou da AM para FM digital e os sinais das emissoras de televisão de VHF e UHF para as tv a cabo e as digitais. Mas o velho e importante jornal impresso está circulando pelas cidades do interior e nos distritos das várias capitais. Essa transformação trouxe à tona uma preocupação com o presente e o dia de amanhã com os mais de 80 jornais de bairros da cidade de São Paulo.   Desde o primeiro jornal regional  “O Braz”, em 01 de setembro de 1895 – há 122 anos, muita coisa mudou.

O ENCONTRO  === Com o foco de debater os rumos da Imprensa regional e também a aproximação com os órgãos públicos, buscando uma comunicação mais efetiva e a captação de  investimentos publicitários, o programa Metrópole em Foco – Rádio Trianon 740 AM realizou no sábado (02/12/2017) o “Fórum de Jornais de Bairro e Mídias Regionais”, no auditório da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. O encontro foi uma co-realização da União Brasileira de Imprensa (UBI), com o patrocínio da Prefeitura de São Paulo, Governo do Estado de São Paulo,  Dainet, Associação Comercial de São Paulo e McDonald´s.

OS PALESTRANTES === Os jornalistas e radialistas Pedro Nastri e Duda Júnior foram os idealizadores do encontro com a presença de cerca de 90 representantes de veículos. Coube ainda a Pedro Nastri a abertura e condução do fórum, que destacou à mesa o publicitário Toninho Rosa, consultor de Comunicação e  Marketing e presidente da Dainet; Inspetor-Superintendente Adelson Souza, do Comando Geral da Guarda Civil Metropolitana (GCM);  Rodrigo Luchiari, diretor de Comunicação da Câmara Municipal de São Paulo; Luis Augusto Antônio Barbosa, superintendente da Distrital Sul da Associação Comercial de São Paulo, representando o diretor-superintendente geral Alencar Burti; Ana Maria F. Coluccio, diretora da Associação dos Jornais e Revistas de Bairro de São Paulo (AJORB) e do jornal S.Paulo Zona Sul; Antonio Epitânio Moura Reis, da diretoria da Associação Brasileira de Imprensa (ABI-SP) e Luciana de Lima Nogueira, Coordenadora de Publicidade da Secretaria Especial de Comunicação (Secom) da Prefeitura de São Paulo.

OS CONVIDADOS === Participaram do encontro, representantes de alguns dos mais tradicionais veículos regionais da cidade:  Gazeta de Santo Amaro, Itaim News, Paulistão Avenidas, Jornal Valor da Paulista, Jornal Sintonia Bairros, Jornal Infoleste, Gazeta de Pinheiros, Jornal Zona Sul, Jornal Marco Zero, Rede News Nacional, Folha, Jornal Zona Leste, S.Paulo Zona Sul,  São Paulo De Fato,  Jornal União São Paulo, entre outros.

CAFÉ E MÚSICA === Os convidados foram recepcionados com um  “coffee-break” oferecido por uns dos patrocinadores do evento, o McDonald’s, que levou a linha completa de produtos do McCafé Entre croassaints, cookies gigantes de chocolate,  brioches recheados com bacon e um cremoso molho a base de mostarda, bolos de especiarias e pequenos donuts,  sucos e café, os convidados trocaram cartões e experiências.   Na entrada do auditório, os convidados foram recepcionados pela Banda da Guarda Civil Metropolitana.

A HISTÓRIA  E SOLUÇÕES ===  Na abertura, Nastri fez um histórico da Imprensa regional, que impacta a vida de moradores de  96 distritos nas regiões da cidade. O  Brasil é o segundo país com o maior número de jornais de bairro do mundo, com quatro milhões de exemplares distribuídos gratuitamente. Em comparação com a  tiragem da “grande mídia”, a tiragem dos jornais de bairro representa um número muito expressivo.

O jornal de bairro destaca o noticiário local,  ignorado pelos grandes veículos. É ele que está em contato  direto om os problemas de cada região. Fora isto, lembrou  Nastri, os jornais regionais geram empregos e levam maior visibilidade para o comércio e serviços de cada região. Por outro lado, segundo a análise, esses jornais não tem uma atenção especial dos poderes executivos municipal e estadual (até federal) e legislativo (Assembleia e Câmara) na programação de propaganda.  “Não é nenhum favor receber publicidade governamental.  É uma relação de troca, já que os veículos tem penetração em suas regiões e os governos precisam se tornar visíveis para a população destas regiões”, disse Pedro Nastri.

A PUBLICIDADE E A GCM  === O primeiro palestrante foi o publicitário Toninho Rosa, que falou sobre a evolução do mercado publicitário. De acordo com ele, veículos e agências precisaram se adaptar ao novo mercado e o mundo digital.  Já o Inspetor da GCM,  Adelson Souza, falou aos presentes da importância do relacionamento dos órgãos de segurança com os veículos de bairro, na divulgação de ações locais.

ACSP  === O representante da ACSP, Luis Augusto Antônio Barbosa, lembrou que é o jornal de bairro  que “movimenta ” o  pequeno e médio comércio das regiões onde atuam.  De acordo com ele, a Associação Comercial procura por meio de suas 15 distritais, fazer parcerias com os veículos locais.  Barbosa disponibilizou  para futuros encontros da UBI, o auditório da Distrital Sul da ACSP, da qual é superintendente.

AJORB ===  Ana Maria F. Coluccio, jornalista e diretora da AJORB, traçou um panorama sobre o jornalismo regional e a meta de sua associação em auxiliar seus integrantes frente a esse novo mercado, pautado pela tecnologia.  Sobre a destinação de verbas da publicidade, lembrou que para as agências que atendem o governo é muito cômodo focar os recursos em  um ou dois grandes veículos de massa ao invés de pulverizá-la entre os veículos regionais e que a “taxa de fee” da agência (comissão descontada dos veículos de publicidade) continua em 20% do investimento de mídia pulverizando ou alocando todos os recursos em um só veículo.  Ana Maria também observou os critérios adotados pela  Prefeitura de São Paulo e  Câmara Municipal, para a programação de regionais.

CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO  === O diretor de comunicação da  Câmara Municipal,  Rodrigo Luchiari,  explicou como a verba publicitária da casa legislativa é definida e que está em curso uma licitação para a contratação de uma nova agência de propaganda.  Lembramos que, conforme dados do Portal da Transparência, a última licitação realizada pela Câmara para a contratação de uma agência ocorreu no ano de 2013 e a vencedora foi a  carioca Artplan  (contrato n. 43/2013).    Desde então,   foram assinados  quatro  aditamentos     ( sendo dois no ano de  2014 – nos valores de   R$ 24.416.143,75 e  R$ 26.003.757,11 respectivamente; e outros dois em  2015 e 2016 com o valor de R$ R$ 26.003.757,11 – cada um deles.

GASTOS COM IMPRENSA REGIONAL  ===   Hoje, a cidade de São Paulo possui aproximadamente 87 jornais de bairro, conforme dados de uma pesquisa realizada pela Escola de Comunicações e Artes/ECA USP.   No último ano, 25 jornais de bairro foram incluídos no plano de mídia da Câmara Municipal de São Paulo, o que é uma clara indicação de que a programação de mídia da Câmara Municipal segue uma linha mais “pé no chão” sobre quem é seu publico alvo.

Os números são do  Portal da Transparência e mostram que  a  Câmara Municipal realizou dois gastos em  propaganda no ano de 2017. No mês de maio  foram pagos exatos   R$  5.664.822,35 em veiculação para a Campanha Institucional “Trabalhando Pela Cidade” – sendo que deste montante R$ 92.091,23 foram destinados para 23 jornais de bairro (a maioria deles nas Zonas Sul e Leste).  Já no mês de junho, ainda para a Campanha “Trabalhando Pela Cidade”,   foram pagos  mais  R$  214.836,37 e deste valor, destinados R$ 6.081,60 para outros dois jornais – um localizado na Zona Sul e outro na Zona Norte.

Também foram gastos da verba de publicidade da Câmara Municipal, durante os meses de maio e junho,  o valor de R$ 927.530,60 – referentes à custos com pesquisas qualitativas e produção das peças publicitárias para tv, rádio, web e jornais de grande circulação e regionais.

PREFEITURA ===  Coube a  Luciana de Lima Nogueira, coordenadora de publicidade da Secretaria Especial de Comunicação (Secom) da Prefeitura de São Paulo , explicar como a gestão João Dória pretende se relacionar com a imprensa regional.  Segundo Nogueira, o motivo por não anunciar em mídia regional é unica e exclusivamente por redução de verba e que “… a mídia regional acaba sendo mais cara”, o que provocou uma grita geral no auditório.

Lua Propaganda e Nova/sb === As duas agências  detém a publicidade da Prefeitura foram convidadas para participar do encontro e não enviaram representantes.  A Lua Propaganda, que também cuida da publicidade do Governo do Estado de São Paulo (PSDB) e a Nova/sb, de acordo com os números apresentados pelo Portal da Transparência indicam que ao formular  o plano de mídia da prefeitura dão  preferência  para Tv aberta (Globo, Bandeirantes, SBT, Gazeta, Record e Rede TV e Cultura), alguns canais de Tv fechada (Sportv I e II e o canal  Viva),  internet (Google e portais vinculados à grandes jormais) e rádios (com spots e testemunhais de comunicadores).

DEZ CAMPANHAS EM 2017 === Ainda segundo o  Portal da Transparência,  em 2017  foram gastos pela administração municipal  em publicidade institucional (Prefeitura e SP Turis)   R$ 34.945.068,98  e  em publicidade legal (aquela que é obrigatória por Lei) R$ 685.989,78.  Também de  acordo com os dados do Portal da Transparência,  foram produzidas e veiculadas pelo menos 10  campanhas:  “Sua Nota Vale um Milhão”, “São Paulo Cidade do  Mundo”,  “Comunicado da  Saúde”,   “Virada Cultural”, “Balanço e Ações”,  “Prevenção às Drogas”,  “Dengue, Zika e Chikungunya” e “Marginal Segura”, “São Paulo das Oportunidades” e “Educação no Trânsito”

NOVA CAMPANHA ===  A Prefeitura encomendou para as agências Lua Propaganda e Nova/sb uma campanha batizada de “Trabalho Novo”, sobre recolocação profissional para pessoas em situação de vulnerabilidade social.  Conforme publicado no Diário Oficial de 25 de novembro, foram reservados investimentos de R$ 2.200.000,00 (divididos igualmente entre as duas agências).  Teoricamente o plano de mídia deverá seguir o padrão das outras 10 campanhas veiculadas no decorrer de 2017.

 

RELAÇÃO DE TROCA === A conclusão que chegamos é que, apesar do que foi dito durante o encontro, existe sim dinheiro sendo investido em publicidade tando da Câmara Municipal como da Prefeitura.  Os números do Portal da Transparência não nos deixam mentir.  O que os representantes dos jornais regionais esperam é que o planejamento de mídia seja mais criterioso e que as agências de publicidade e os governos usem do bom senso, na hora dos investimentos.  Repetindo a colocação de Pedro Nastri “não é nenhum favor receber mídia governamental.  É uma relação de troca”.

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